Honra e Gloria aos que tão novos lá deixaram a vida. Foram pela C.C. S.-Manuel Domingos Silva!C.Caç. -1558- - Antonio Almeida Fernandes- Alberto Freitas - Higino Vieira Cunha-José Vieira Martins - Manuel António Segundo Leão-C.Caç-1559-Antonio Conceição Alves (Cartaxo) -C.Caç-1560-Manuel A. Oliveira Marques- Fernando Silva Fernandes-José Paiva Simões-Carlos Alberto Silva Morais- Luis Antonio A. Ambar!~


O Batalhão de Caç. 1891.. Cumprimenta com Amizade,todos os que visitam esta página..Forte abraço.

Faleceu o camarada da CCAÇ 1559. Francisco Branco do Ó Á Familia o BCAÇ 1891 aprsenta-lhe as mais sentidas condolências .


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

2º Capítulo. Como eu vivi e o 7 de Setembro de 1974 em Lourenço Marques Por: António Manuel Gomes Lopes (Pintinhas)


Edifício das antenas do RCM, na MATOLA
Chego ao edifício das antenas por volta das 11 h, já havia pessoas a tentar entrar para o cercado onde ficava  o edifício de controlo de emissão das várias estações do RCM.
Uma pequena reunião com o Trajano estabelecemos logo as prioridades. Eu fiquei com a segurança.
Fecharam-se os portões, contra a vontade do povo, mas tinha que haver disciplina. Só entrava quem o Trajano e o Ferreira desse autorização, visto que eu não conhecia muitos dos indivíduos que colaboravam na causa, Tínhamos quatro pessoas da nossa confiança, que geriam a entrada e saídas.
O Trajano telefona ao Manuel (locutor), para que este através dos microfones do RCM convocasse para a Matola todos os GE (Grupos Especiais), pois o alferes "Pintinhas" os convocava.
Era uma manobra de diversão, os GE estavam no Norte.  Apareceram três ex-furriéis, , a primeira coisa  que me perguntaram foi: "armas", disse-lhes muito simplesmente que não havia armas porque não íamos fazer guerra.
Havia que vigiar as estradas  que davam acesso às antenas. Para as que vinham de Lourenço Marques ou de Boane, pela estrada velha da Matola, não foi difícil a vigilância, visto que havia um restaurante perto da passagem de nível, falei com o proprietário, para estar atento a qualquer passagem de viaturas militares com destino à Matola nos informasse por telefone.
A vigia na nova estrada da Matola também foi fácil. Um funcionário da SOVIM, que tinha aderido ao movimento, entrou em contacto com um colega para este os informar se havia movimentações militares na estrada.
A estrada que ligava a Matola a Boane era a mais problemática. Não conhecia ninguém nessa zona. Sendo assim um dos meus homens parte para Boane, fala com uns cantineiros e tudo fica resolvido. Assim, o perímetro das antenas  estava protegido e defendido. 
Só faltava sabermos o que de importante se passava no Quartel General. no Esquadrão, e no BCAÇ18. Tínhamos que  contactar com militares da incorporação moçambicana, entre os quais tínhamos muitos amigos. Para esse efeito, contactámos com alguns dos seus familiares e estes por sua vez pediram-lhes que se algo de anormal se passasse nas sua unidades que nos informassem.
Notícias vindas de LM, davam-nos conta que o RCM estava a abarrotar, o aeroporto tinha sido ocupado por ex-paraquedistas, da Cadeia da Machava tinham sido libertados os agentes da PIDE/DGS.
Estava convicto que até certo ponto tínhamos atingido o objectivo de tentar convencer o governo português que também éramos moçambicanos, não queríamos mais guerra, queríamos um Moçambique multiracial e unido. 
No dia 8, ao raiar do sol começam a aparecer boatos de todas as formas e feitios por exemplo: a vinda de armamento proveniente da África do Sul, para nos armar. eu sabia que isso era impossível,pois nas conversas havidas meses antes entre nós e o BOSS, ficou claro que eles jamais deixariam passar armas para Moçambique.
O 8 de Setembro foi um dia de muito diálogo, via telefone, entre Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques e as antenas na Matola  do RCM, soube-se que a OPVDC, também se alia à causa. O comandante desta força, Tenente Coronel Vasconcellos Porto, era um pessoa sobejamente conhecida e de grande carácter. Privei com ele durante 2 anos em Nangade em Cabo Delgado.
Junto aos portões do edifício da antenas da Matola, era uma mole humana. As pessoas traziam comida, palavras de apreço e de confiança. Não sei porquê, o meu instinto de defesa em movimentações militares, dizia-me que íamos ter problemas, as chefias militares portuguesas já me tinham desiludido várias vezes.Sabendo eu que o MFA, apenas olhava para o seu "umbigo" e não queriam saber dos portugueses que nasceram, viveram e trabalhavam nas Províncias Ultramarinas.

Nangade 1971. General Kaúlza a passar revista aos novos GE,
acompanhado pelo Alferes "Pintinhas"
Recebemos um telefonema do restaurante da estrada velha da Matola, avisando-nos que uma viatura militar, com soldados armados de deslocava na nossa direcção, friamente pensei: quem quer que seja vou falar com eles.
Pedi ao povo para se afastar dos portões e que não molestassem oral e fisicamente os militares.
Esperámos por eles mais de uma hora e nada. Recebemos um novo telefonema do restaurante, dizendo que eles tinham voltado para trás. Mas tarde, soubemos que a cerca de um Km das antenas o oficial mandou a viatura de regresso a LM, tinha recebido a informação do condutor da viatura, que o RCM informava que os GE`s estavam tinham montado segurança às antenas.



Texto retirado do livro de Ribeiro Cardosos e já publicado neste Blog

"O capitão Gardete dizia que bastava cortar o cabo que alimentava as antenas, acrescentando que para as silenciar não era preciso deitá-las abaixo -- e lá se organizou uma coluna com meia dúzia de viaturas militares de transporte cheia de soldados negros com capacetes de aço e armados de G3. Chefiada por um capitão cujo nome não recordo, e integrando dois ou três oficiais, entre os quais o capitão Gardete e eu próprio que nunca me vira em tais preparos e apertos, lá chegámos à Matola, onde tínhamos à nossa espera centenas de brancos armados de caçadeiras, algumas de canos cerrados, apontados na nossa direcção.
O comandante da nossa coluna (Hoje Major-General das FAP, Ribeiro Cardoso) falou com o chefe da multidão de brancos que diziam que estavam a defender as antenas e que não obedeciam a nenhum militar. Assim, ala que se faz tarde, regressámos com o rabo entre as pernas ao  QG, como teria acontecido numa digna guerra de Solnado.
A explicação foi a de sempre: não fazer correr sangue. Para além, claro, de entre nós não haver um único atirador ou especialista em combate"...

Hoje continuo a pensar que teria sido uma chacina pois os militares que seguiam na viatura eram soldados pretos de 2ª sem preparação militar. No, meio da multidão havia pessoas com armas de pequeno calibre.
As horas iam passando, dramáticas, não sabíamos o que se passava e o que no esperava. Recebíamos alguma informação via telefone  do RCM em LM, ou de populares que chegavam à Matola e nos informavam dos acontecimentos junto ao RCM. Neste caso e  devido à minha experiência não podia acreditar em tudo. O boato é o pior dos inimigos.


Continua na próxima 2ª Feira